O linho bielorrusso




4 SETEMBRO 2020
Apesar de termos sido, há alguns séculos atrás, um dos melhores produtores de tecidos de linho da Europa, e haver vestígios milenares de produção de tecidos de linho naquilo que é hoje o território português, na época moderna a produção do linho em Portugal nunca se industrializou realmente, permanecendo essencialmente como uma prática artesanal e comunitária. Se por um lado mantivemos um saber fazer ímpar, por outro, a importância desta fibra têxtil foi decrescendo até aos dias de hoje, e a sua produção artesanal é ainda muito pontual, devido aos valores que atinge o tecido final.

O linho natural, sem tingimentos, de tecelagem menos apertada e de maior espessura, utilizado tradicionalmente nos bannetons franceses, é pouco comum no mercado nacional e encontra-se mais facilmente na zona do Báltico, onde a produção mais industrializada desta fibra se concentra. O tecido de linho que tive a sorte de encontrar até agora em stock num revendedor local e que vinha diretamente da Rússia, esgotou nesse revendedor o que me levou a ter de procurar outras proveniências. A Lituânia, que eu conhecia como grande produtora de tecidos de linho, deixou de produzir a fibra, segundo li recentemente, por falta de apoios comunitários que apoiem o seu cultivo. A maioria do linho processado nesta zona do Báltico vem agora da Russia e da Bielorússia. É deste último país, de que temos ouvido falar muito nas últimas semanas — pelos piores motivos — que virá o linho dos novos bannetons. Encomendei algumas amostras para poder comparar com o tecido anterior, e é incrivelmente semelhante, além de ter uma espessura ideal. A produção deste tecido tem certificação Oeko-Tex Standard 100 e é produzido numa fábrica que existe desde 1930, na cidade de Orsha, uma cidade muito próxima da fronteira leste com a Rússia.

MANUFATURA
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