Dois mil e vinte




24 JANEIRO 2019
A entrada no novo ano é um motivo para modificações neste projeto, que já conta com quase dois anos. A partir do próximo mês a Mariamélia tomará um rumo ligeiramente diferente, e estará mais focada em projetos e parcerias relacionadas com as práticas de manufatura em Portugal. A seu tempo irei partilhar aqui e através da newsletter esses novos projetos.

A primeira grande modificação será a loja online, que irá desaparecer precisamente a partir de Fevereiro. Alguns produtos continuarão disponíveis para encomenda, mas estas serão confirmadas apenas via email para poder garantir o cumprimento de prazos de produção — o que é particularmente difícil com uma loja online. Além disso, haverá também uma atualização da maioria dos preços, tendo em conta os objetivos de transparência na cadeia de manufatura e de pagamento justo aos artesãos e pequenos produtores com quem colaboro.

Todas as peças têxteis da Mariamélia serão também vendas finais até ao final deste ano: não haverá mais exemplares (pelo menos iguais) destas peças durante este ano, por isso se estão de olho naquele avental ou naquela almofada, é de aproveitar agora, mais precisamente até ao dia 31 de Janeiro.

A partir de fevereiro a Mariamélia entra numa nova fase, que contará com um site renovado, totalmente biligue e mais funcional. Há vários motivos para estas modificações: por um lado, o esforço de gerir uma loja on-line não tem sido compatível com o tipo de produção manufaturada, em pequena escala, pelos artesãos e produtores com quem colaboro; por outro, no decurso deste projeto, tenho percebido que aquilo que mais me interessa pessoalmente é conhecer novos artesãos e as suas oficinas e criar a possibilidade de desenvolver novos produtos, para além de registar as histórias destas manufaturas e de poder dá-las a conhecer de forma digna e aprofundada.

A Mariamélia é um projeto ramificado, gerido unicamente por mim. Tenho a ambição de poder, um dia, dedicar-me em exclusivo a relacionar design e manufatura — tanto teoricamente, como na prática — acumulando exemplos de sucesso da colaboração com artesãos/artífices e detalhando estes processos bem como as condições de produção de cada objeto, desde a origem das matérias-primas às tecnologias empregues na manufaturação. Este interesse, que tem um sentido social e político implícito, é pouco compatível com o desenvolvimento de uma marca comercial a tempo inteiro, com o esforço de marketing e comunicação a ela associado, e com a pressão para perseguir um modelo de negócio que em nada beneficia a missão a que me tenho proposto: a de procurar desenvolver objetos que colocam questões sobre os métodos de produção material dos quais nos rodeamos hoje em dia.

Objetos que inquiram sobre uma manufatura na qual não existe um mínimo de dignidade ou de foco no artífice; que falam sobre as relações unívocas entre manufatura e indústria, em vez de as separar; que encontram no diálogo com artesãos, produtores industriais, artífices e outros agentes uma forma de diagnóstico dos problemas sistémicos que criamos enquanto consumidores e aos quais nem o design, nem a educação, nem as instituições do estado têm sabido dar resposta. Estes produtos pretendem também sugerir um diálogo sobre os próprios conceitos de design, artesanato, produção industrial e manufatura, que são recorrentemente interpretados de forma distintas pelo diferentes intervenientes neste diálogo. E por último convocar os próprios consumidores, com consciência social e ambiental, a questionar os dicursos de sustentabilidade ambiental e justiça social que podem ou não ser alcançados pelas escolhas individuais de consumo.

Quaisquer dúvidas sobre a disponibilidade dos produtos no futuro próximo, ou o stock de cada produto em saldo, ou qualquer outra questão pode ser enviada rapidamente por este formulário ou por email.

FILOSOFIA

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